Linha Francesa

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Eles estrearam no mercado de reposição de forma meio atravessada e desde que começaram a franquearas oficinas independentes ganharam de forma quase unânime a reprovação do reparador. Passados alguns anos ainda há muita rejeição aos veículos de origem francesa e nesta matéria especial resgatamos um pouco da relação do reparador com estes carros, assim como reunimos algumas dicas de manutenção destes modelos

 

Arthur Gomes Rossetti

Atendendo à chamada crescente por informação técnica a respeito dos veículos de origem francesa, selecionamos um pacote de dicas técnicas de diversos modelos pois a frota com esta origem está cada vez mais presente nas oficinas independentes.

Porém antes de passarmos algumas informações técnicas, vamos resgatar um pouco da historia da presença destes carros no mercado brasileiro.

Desde a abertura na importação de veículos, no inicio da década de 1990, o segmento da reparação automotiva nacional foi obrigado a evoluir mais de trinta anos em apenas cinco para atender as exigências tecnológicas que os veículos importados demandavam.

Pensando neste enorme nicho de mercado, surgiram às oficinas especializadas na linha francesa, linha esta que possuía como característica a fragilidade no projeto dos seus veículos, quando expostos às condições brasileiras de rodagem e clima.

Esta percepção se generalizou nas oficinas e impacta na imagem destes carros até hoje, porém para entendermos melhor reunimos a seguir um breve histórico por fabricante.

 

Peugeot

As primeiras unidades a rodar por aqui foram os compactos 106 Kid, equipados com motor 1.0, 205 1.4 e 306, que mais tarde esteve disponível com motor 2.0 S16 com coletor de admissão variável através de oito borboletas comandadas por vácuo. Este sistema prioriza o toque em baixos regimes de rotação e a potência nos altos regimes, com resultados semelhantes ao funcionamento de um comando de válvulas variável.

Como sedã médio, havia o 405e posteriormente o 406, este equipado opcionalmente com caixa de marchas automática de quatro velocidades AL4, a qual é utilizada até a presente data em modelos como 207,307 e na linha Citroën C# e C4. Trata-se de uma transmissão ultrapassada frente à concorrência, que possui modelos de cinco, seis e até sete velocidades, muito mais eficientes e modernas.

Os modelos topo de linha 605 e o sucessor 607 vinham equipados com motor 3.0 V6, família ES9. Como ponto frágil estavam as bobinas de ignição individuais por cilindro, devido às freqüentes queimas. O modelo também utilizava a caixa de marchas AL4.

Atualmente o reparador independente irá se deparar com os modelos 206, 207, 307, 407, Partner e Boxer.

 

Citroën

Os modelos abre alas da marca foram o BX, XM, Xantia, AX e ZX, sendo que os três primeiros possuíam como diferencial a suspensão hidroativa, que não utilizava molas no sistema, mas utilizava molas no sistema, mas sim um engenhoso aparato hidráulico capaz de cumprir de maneira muito eficiente a função.

O sistema de suspenção ativa dispensa o uso de molas e amortecedores propriamente ditos. O que faz a função deles é uma esfera metálica “oca” de coloração verde. Em seu interior existem duas câmaras. Para dividi-las, a Citroën adotou um diafragma com capacidade elástica. Em uma câmara, é armazenado o gás nitrogênio, que fica isolado e recebe os esforços vindos dos do trabalho da suspensão. No outro lado, fica armazenado o fluido hidráulico que possui ligação com o reservatório bomba de alta pressão. A coloração “verde fluorescente” desse fluido é característica.

Em todo sistema, são utilizadas seis esferas (Câmaras). Elas são posicionadas da seguinte maneira: uma em cada parte superior dos telescópios dianteiros, uma na posição central dianteira, outra na central traseira e mais duas que ficam ao lado dos braços da suspensão traseira. Apesar de estarem interligadas pelo sistema hidráulico, seu funcionamento é inteligente e em certos momentos podem ficar isoladas umas das outras.

Algumas vantagens do sistema são a capacidade de regular a altura do veículo no momento em que for necessário, por meio do toque de um botão, o conforto ímpar, a correção automática de inclinação da carroceria em curvas (controle antirrolagem) e controle da altura da traseira em frenagens bruscas (Antimergulho).

As desvantagens do sistema são a dificuldade em obter informações e esquemas elétricos sobre o seu funcionamento, disponibilidade, de peças (dependendo do item, é necessário efetuar o pedido junto à concessionária da marca e aguardar o recebimento), desgaste prematuro devido à pavimentação em más condições encontrada no Brasil, entre outros detalhes isolados.

Mais tarde, outros modelos também adotaram o sistema, tais como o C5 e o mais recente C6. Outros veículos que utilizaram o sistema sob licença da Citroën foram Rolls-Royce e Mercedes Benz.

Atualmente os modelos que freqüentam as oficinas são Xsara e Xsara Picasso, C3, C4, C5 e o utilitário Jumper.

 

Renault

Das três marcas francesas, a Renault é a que possui maior simplicidade e menor complexidade para manutenção. Desde as primeiras unidades do Clio e Renault 19 a desembarcarem em nossas terras, o reparador não obteve maiores dificuldades para repará-los

Dos modelos mais novos, Mégane e Master, Exigem mais atenção devido à maior tecnologia embarcada.

Agora algumas dicas técnicas

Caso você tenha a intenção de especializar a sua oficina para atender apenas os veículos da Lina francesa, é altamente recomendável que sejam adquiridos equipamentos eletrônicos de diagnóstico que possuam acesso aos diversos sistemas. Antes de comprar, faça o teste prático no maior numero de modelos que conseguir para evitar maus investimentos em equipamentos que prometem, mas não cumprem a ampla lista de serviços nestas linhas de veículos.

 

Motor

De maneira geral, um dos pontos mais frágeis está relacionado aos coxins do motor. Estes veículos possuem coxim superior e inferior. Se o inferior quebrou ou rompeu, o superior também poderá estar em más condições. Lembre-se de verificar, no caso do inferior, o seu respectivo diâmetro, pois existe mais de uma medida do diâmetro externo que ora pode ter 65 mm ou 70 mm. Isto Varia de acordo com peso do motor e cilindrada.

Ainda relacionado aos coxins, os modelos 206,207,307,C3 e C5 equipados com câmbio automático poderão apresentar algum tranco ou modo emergência ao selecionar uma marcha e neste caso nem sempre o problema é o Câmbio. Como a seleção é realizada por cabos, quando há quebra dos coxins, o cabo poderá ficar excessivamente esticado e avançar a seleção além do ideal.

Os coxins superiores do tipo “pêra”, quando são paralelos, costumam ceder, ocasionando barulho na região do motor mesmo sem estarem quebrados. Sempre dê preferência ao original, que, mesmo não apresentando durabilidade alguma, é a melhor opção.

Os motores EW10 e EW10JA, com comando de admissão variável encontrado nos modelos 307, Xsara Picasso e C5, podem apresentar falhas, desligamentos, trepidação em baixa rotação e até mesmo ficarem acelerados. Neste caso a possibilidade para a solução está em realizar a limpeza mecânica do sistema de admissão, seguida de descarbonização química, mais a troca de velas de ignição. Sempre oriente o cliente que isto poderá danificar a sonda lambda.

Após a limpeza, será necessário entrar com o aparelho de diagnose e zerar os códigos de falhas. Faça também o reset dos parâmetros autoadaptivos (isto em aparelhos que permitam isso). DICA: Entregue o veículo somente no dia seguinte, pois é altamente recomendável funcioná-lo de manhã e verificar se está tudo o.k. Se o motor ficar 100% estável, aí sim, faça a entrega.

Para manter o motor isento deste problema de acúmulo de sujeira no sistema de admissão, oriente o cliente a utilizar apenas gasolina Podium da Petrobrás.

 

Problemas de temperatura alta no 307

Caso o reparador de depare com a válvula termostática do tipo controlada, saiba que este sistema saiu de linha. No momento da manutenção será necessário comprar o modelo de válvula convencional e deixar o chicote desplugado. O scanner deverá entrar em ação para zerar os parâmetros.

A antiga linha Citroën ZX e Xsara trabalhava a uma temperatura de 92 a 98 graus Celsius . já o Peugeot 307 funciona de 100 a 107 graus, independentemente de ter motor 1.6 ou 2.0. Isso serve para reduzir as emissões de gases poluentes. Ele não possui o primeiro estágio da ventoinha, apenas o segundo! Isto não é um defeito, como muitos reparadores pensam, mas sim uma característica. O primeiro estágio entra apenas quando o ar-condicionado é ligado.

Em qualquer veículo de origem francesa, oriente seu cliente a nunca abrir a tampa do radiador em posto de combustível. Isto ocasionará o não funcionamento do sistema. Ao realizar manutenção na linha de arrefecimento, sempre abra todos os sangradores para eliminar qualquer indício de ar no sistema. Importante: Caso a tampa plástica da tubulação do ar quente quebre, uma simples tampa de válvula de encher pneu poderá ser aplicada.